quinta-feira, 28 de setembro de 2017

LESTER BANGS E O ROSEBUD


Lester Bangs foi o Último Grande Crítico Americano de Rock. Não acreditava em meias-verdades ou opiniões em banho-maria. Levou ao extremo sua obsessão pela música popular, chegando a se contradizer frequentemente,  a conquistar leitores amigos e editores inimigos. Mas lá no cerne de sua escrita estava um amor incondicional por uma verdade idealizada, um lugar onde a visão subjetiva sobre uma obra poderia tranquilamente viver ao lado oposto do senso comum, da opinião mainstream, e tudo bem assim. Aparentemente fascista em sua verborragia que não poupava ninguém mas claramente democrático quando dizia ao seu leitor que ele era apenas um amigo conversando sobre discos, Lester seria mercadoria rara no supermercado da cultura pop atual, onde bloggers 'antenados' emitem sentenças de vida ou morte para filmes no final de semana de seus lançamentos. 

Compreender a idéia por trás de um filme, música ou disco, livro ou gibi, sempre me fascinou. Você pode passar um ano, dois, dez, uma vida, revisitando a mesma obra, com resultados diferentes e surpreendentes. Esse ato revela muito sobre a nossa persistência, nossa disposição de seguir adiante. Existe uma obsessão sobre esses universos infinitos que me persegue desde garoto. Conheço pessoas que também vivem dessa busca por uma verdade, por aquele momento que justifica a partida, o início da jornada. 

O primeiro filme que te fez querer nunca mais sair do cinema, o disco inesquecível, a HQ que te fez querer saber como aquilo funciona. O livro que te tirou do chão. 

O nosso 'Rosebud'.